sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Calendário Maia e o "apocalipse" (13 baktunes) ou o início de um novo ciclo.

Não sei se a minha interpretação está correta, mas segundo andei lendo, tanto quanto as pessoas de hoje, os maias também tinham uma enorme preocupação com a contagem do tempo. Na Mesoamérica, onde eles viveram, a maioria dos calendários eram compostos por 260 dias. O calendário Tzolk'in foi o primeiro utilizado por eles.

Os números tinham enorme significado na cultura maia. O número 20, por exemplo, significava o número de dígitos que uma pessoa possui - 10 dedos nas mãos e 10 dedos nos pés. Já o número 13 se referia às juntas principais do corpo humano, por onde se acreditava que as doenças entravam - um pescoço, dois ombros, dois cotovelos, dois pulsos, dois quadris, dois joelhos e dois calcanhares.

O mesmo número 13 também servia para representar os níveis do paraíso onde os lordes sagrados reinavam sobre a Terra. Estes eram os números utilizados na confecção do calendário Tzolk'in, dotado de 20 nomes de dias e 13 números que obedeciam a uma sequência.

Os maias acreditavam que a data do nascimento determinava as características da personalidade de cada sujeito, mais ou menos como hoje ocorre na astrologia. Eles utilizavam o calendário também para determinar a agenda da colheita: em 260 dias se preparava a terra e se plantava o milho, que era cultivado e colhido ao fim de idênticos 260 dias. O calendário também era utilizado para determinar quando eventos aconteceriam ao longo do ano. No início de cada uinal (período de 20 dias), um xamã determinava quando os eventos e as cerimônias religiosas deveriam acontecer e ajustava as datas que seriam as mais prósperas ou mais afortunadas para a comunidade. Mas o calendário Tzolk'in não media o ano solar, o tempo necessário para que o Sol completasse um ciclo, o que levou os maias a criarem o calendário Haab, muito parecido com o calendário gregoriano que utilizamos atualmente.

Ele se baseava no ciclo do Sol, e era utilizado nas atividades de agricultura, de economia e de contabilidade. Muito parecido com o calendário Ttzolk'in, ele também era composto por uinals. Cada dia tinha seu próprio hieróglifo e um número, mas ao invés de usar 13 uinals para 260 dias, o Haab utilizava 18 uinals, resultando em 360 dias, o que segundo os astrônomos da época, não era suficiente para que o Sol completasse o seu ciclo. Não sem muita discussão, acabaram concordando com os 18 uinals, com cinco "dias sem nomes" chamados de wayeb. O wayeb, um "mês" de apenas cinco dias, era considerada uma época muito perigosa, já que o povo maia acreditava que os deuses descansavam durante esse período, deixando a Terra desprotegida. Por isso, durante o wayeb eles realizavam cerimônias e rituais na esperança do retorno dos deuses.

Mas os maias não estavam satisfeitos, porque os calendários Tzolk'in e Haab não contavam mais do que um ano. Eles queriam registrar a história, razão pela qual resolveram criar um calendário que lhes pudesse garantir um período maior. O objetivo era conseguir um calendário que levasse aos seus descendentes todo o conhecimento sobre fatos importantes dos antepassados, um sistema de contagem de tempo que lhes garantisse viajar por centenas ou até milhares de anos. Aí surgiu o calendário de longa contagem, cuja compreensão não é simples. Para começar a entender o seu funcionamento é preciso conhecer alguns termos:
 


um dia - kin
20 dias - uinal
360 dias - tun
7.200 dias - katun
144.000 dias - baktun


O calendário de longa contagem era chamado de o "grande ciclo", e tinha cerca de 5.125,36 anos. Para que se possa encontrar nele uma data correspondente a qualquer data gregoriana, é preciso contar os dias a partir do início do último "grande ciclo", mas determinar quando ele aconteceu e combiná-lo com uma data gregoriana não é tarefa das mais simples. Sir Eric Thompson, um antropólogo inglês, encarregou-se de fixar a data, o que foi feito através de pesquisas na Inquisição espanhola. O resultado ficou conhecido como a Correlação Thompson.

Os eventos da Inquisição foram registrados no calendário maia de longa contagem e no calendário gregoriano. Feito isso, os estudiosos juntaram as datas que combinavam em ambos os calendários e as compararam com o Código Dresden, um dos quatro documentos maias que sobreviveram à Inquisição. Esse código confirmou a data há muito tempo tida por Thompson como sendo o início do grande ciclo atual - 13 de agosto de 3114 a.C.

Como se pode ver, os maias pré-hispânicos tinham verdadeira obsessão pelo tempo, mas um registro em especial vem chamando a atenção de estudiosos no assunto nos últimos anos. Uma inscrição do século VII, encontrada em um monumento no sítio arqueológico de Tortuguero, no estado de Tabasco, Sudeste do México, faz referência a uma data: 4 Ajaw 3 K’ank’in, ou, segundo correlações feitas por arqueólogos, 21 de dezembro de 2012.

O registro de uma data tão distante da origem do monumento fez nascer a ideia, principalmente na cabeça dos amantes da "Teoria da Conspiração", de que os maias, com todo seu conhecimento sobre o tempo, teriam previsto uma catástrofe global naquela data, o fim dos tempos, o que não é a opinião dos especialistas na cultura, que asseguram que o fim não está próximo, já que inúmeras outras placas recém-descobertas na mesma região revelam uma história que nada tem a ver com o apocalipse, mas com a renovação dos tempos, com novas eras, novos períodos de existência do Planeta.

- A associação do fim do mundo com as profecias maias partiu de grupos místicos que exploram concepções de tempo de culturas antigas para criar uma visão apocalíptica - disse Orlando Casares, arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História - Inah do México, acrescentando:

- Hoje as pessoas se informam com mais facilidade sobre tragédias ocorridas no planeta e buscam uma explicação para esses eventos, mas não existe nenhum argumento científico que comprove que os maias tenham previsto uma catástrofe.

A afirmação dos especialistas tem por base o método utilizado pelos próprios maias para organizar o tempo, dividido em eras de 5.125 anos - ou 13 baktunes, períodos de aproximadamente 400 anos cada. Na visão cíclica de constante renovação, o que é comum em várias religiões, o fim de uma era significa apenas o início de outra. Dessa forma, a inscrição em Tortuguero traz, de fato, uma profecia: a de que o fim de 13 baktunes marcaria o retorno de Bolon Yokte, uma importante divindade maia vinculada à criação e à guerra. Assim, a data indicada - 4 Ajaw 3 K’ank’in ou 21 de dezembro de 2012 - significava para os maias apenas o início de uma nova era e a volta de um deus, e não o fim do mundo. Ufa! Ainda bem! Tomara que a razão esteja com especialistas, você não acha?
 
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